Vermeer no Frick

May 30, 2014 by


New York, 22 de janeiro – 2014

Se você visitou Nova York neste inverno de Polo Norte, uma das coisas que você não poderia ter deixado de fazer foi ter passado no Frick Collection para dar um alô para “a moça do brinco de pérolas”. Em holandês: Het Meisje met de Parel. (Ela é holandesa, assim como as outras moças e moços mais lindos do mundo são também holandeses). Afinal, vai ser praticamente impossível vocês dois terem a chance de se encontrarem em Manhattan novamente. Ela não mora aqui. E “o marido dela” tem um ciúme! … Pois é, ela é linda mesmo, muitas vezes referida como “a Mona Lisa do Norte” ou “a Mona Lisa holandesa” pintada (cerca de) 1665 por Johannes Vermeer. Ela passou uma temporada na cidade enquanto reformavam sua casa, a Real Galeria de Arte Mauritshuis, em Haia.

“Moça com Brinco de Pérola” fez parte de uma exposição chamada “Vermeer, Rembrandt, e Hals: Obras-primas da pintura holandesa de Mauritshuis.”

Johannes Vermeer é o segundo pintor holandês mais famoso e importante pintor barroco do século XVII (um período que é conhecido por Idade de Ouro Holandesa, devido às espantosas conquistas culturais e artísticas do país nessa época), depois de Rembrandt. Os seus quadros são admirados pelas suas cores transparentes, pelas composições inteligentes e brilhante uso da luz. Pouco se sabe da sua vida. Ele nasceu em 1632 em Delft, onde viveu e trabalhou por toda a vida. Não se sabe ao certo quem ensinou Vermeer a pintar. Sabe-se que ele tinha muitos amigos pintores, mas o seu estilo não era semelhante ao de nenhum deles. Embora Vermeer fosse um comerciante de arte, assim como seu pai, ele sempre se considerou mais como pintor. Trabalhava apenas sob comissão e produzia apenas duas ou três obras por ano. Ele pintava muuuuuuuuuito de-va-gar … não era nem o suficiente para sustentar sua esposa e 11 filhos. Alguns de seus quadros lhe foram tomados pelo padeiro poque ele não tinha dinheiro para pagar a conta! O resto foi vendido para pagar suas dívidas. Ele morreu repentinamente em 1675.

Johannes Vermeer criou apenas 45 quadros, dos quais 35 ainda existem. Em janeiro 1996, logo depois que me mudei para Nova York, a National Gallery of Art em Washington D.C. encerrava uma exposição na qual juntaram 21 obras de Vermeer. Nunca houve uma exposição assim na qual você pudesse ver tantos quadros deste pintor misterioso e raro num mesmo local. As pinturas dele pertecem a gente muito rica e intituições de máximo prestígio. As obras não têm preço. Quem quiser vender pode pedir o que quiser, o céu é o limite. Alguns proprietários têm ciúme delas e não gostam nem de pensar na idéia de emprestá-las para exposições – como o Frick Collection, que tem 3 pinturas do Vermeer na sua coleção permanente que não foram para Washington porque elas não podem sair do museu para nada. Foram necessários 4 anos para convencerem a rainha da Inglaterra a emprestar o dela para esta exposição.

Eu comprei meu bilhete de trem e embarquei para a capital Americana numa sexta feira de manhã, na esperança de ir para a Galeria no mesmo dia, afinal a exposição encerrava no domingo, dois dias depois. Quando cheguei lá a segurança me informou no meio de uma balbúrdia de gente que as senhas para entrar no museu na sexta feira já tinham acabado, e me aconselhou estar na porta dos fundos da Galeria o mais cedo possível na manhã seguinte. Pois bem, como eu estava hospedado numa “pousada” atrás do Capitólio eu levantei às 4 da manhã e depois de uma caminhada de 15 minutos, cheguei lá – e já haviam 7 pessoas esperando na fila. Uma manhã gelada com temperatura zero grau, e, para completar, chovia, fininho … fininho … fininho … um friozinho … No escuro.

A National Gallery of Art abriria às 10 horas da manhã, e naquela época eu era bem jovem, e para quem aturou ser a oitava camada de carne em frente a um palco, expremido num Maracanã abarrotado, sob um calor carioca de 55 graus centígrados (e com pessoas passando por cima da minha cabeça desmaiadas para tomar oxigênio debaixo do palco) para ver Madonna -eu pensei que eu fosse morrer-, aquilo alí parecia viável. Às 9 horas da manhã a fila dava volta no quarteirão e passava por mim novamente. Você conhece o tamanho dos quarteirões da cidade de Washington D. C.? Brasília perde!! A chuva persistia e eu não podia sentar porque tudo molhado. E frio. Frio. Eu estava com várias camadas de roupa, camiseta, camisa jeans, sweater, e mais um casaco supostamente imperméavel, mas a chuva foi implacável: penetrou camada por camada devagarinho até chegar na pele.

Enfim, às 10 horas da manhã os portões da salvação do paraíso abriram pontualmente para o alívio da multidão de loucos como eu, mas uma multidão civilizada, de gente que entrou para ver as 21 obras de Vermeer sem reclamar, caminhando calmamente como se estivéssemos numa fila de comunhão na catedral das artes. Diziam que quem olhava para as pinturas do Vermeer sentia-se imediatamente calmo, tranquilo e feliz. Embriagados, em êxtase puro! Aquela exposição em foi vista por 327 mil pessoas.

Nas pinturas de Vermeer, que é também é conhecido como o mestre da luz holandês, nota-se um forte contraste claro/escuro, isto é, luzes e sombras, característico do movimento artístico que o pintor fez parte. As cores predominantes são o azul, vermelho e dourado, o que não é aleatório. O uso de tais cores está de acordo com o período, onde houve um contato maior com o oriente, a china em especial, onde estas cores eram tradição, sendo traduzidas na Europa como requinte.

O fascínio pelas pinturas de Vermeer é tão grande que em 2003, um filme de Hollywood foi feito com o mesmo título da pintura, “Moça com Brinco de Pérola”, tendo Colin Firth como Vermeer e Scarlett Johansson como a garota da pintura. O filme retrata uma história fictícia de como o pintor Johannes Vermeer teria reproduzido seu famoso quadro de mesmo nome.

Não se conhece quem foi a modelo para a pintura.

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2 Comments

  1. angela
    Posted May 31, 2014 at 10:43 pm | Permalink

    Madona!! Você é ótimo nisso!! Amo!! Quero ver esse livro sair!

    • Luiz
      Posted June 8, 2014 at 6:22 pm | Permalink

      Obrigado Angela – vou continuar postando e acumulando informações!

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