The King Cole Bar and Salon

May 30, 2014 by


New York, 20 de dezemdro – 2013

Você precisa escapar um pouco do frio de Polo Norte das ruas de Nova York em dezembro? Ou relaxar no final do dia depois das andanças das compras enquanto contempla uma das pinturas mais sensacionais da cidade? … mas por favor, não leve as sacolas! Não pense duas vezes; siga direto para o King Cole Bar que acabou de passar por uma reforma e é —para mim— o bar mais bonito da cidade. Para chegar até lá, na esquina da Quinta Avenida com rua 55, você vai passar por porteiros de fraque e cartola que graciosamente vão abrir os portões dourados do paraíso para você. O endereço, o Hotel St Regis, é um clássico onde já morou o pintor surrealista Salvador Dali além de outras celebridades; nas festas de Dali ele entretia os convidados com lagosta mas não me peça para descrever o ritual aqui … Atravesse o lobby do hotel e vire à esquerda passando por salas suntuosas onde vão estar sentados a “nata” da cidade. Continue em frente e você vai ficar maravilhado com o salão que vem logo depois e serve um dos chás da tarde mais concorridos de Nova York. Lá no fundo, está a entrada deste bar elegante. O lugar é pequeno e de certo modo aconchegante. O balcão do bar ocupa o centro do ambiente ladeado por duas áreas com sofás, poltronas e mesas.

Existem dois motivos para você estar aqui: o “drink” Bloody Mary que eles preparam, e o painel pintado por Maxwell Parrish que ocupa toda a parede ao fundo do bar. São seis receitas de Bloody Mary, e o King Cole bar diz que esta bebida apimentada, forte e irresistível foi inventada lá. O nome original é Red Snapper e aqui segue a receita:
• 1 dose de vodka, a Belvedere, que foi lançada em 1996 e é considerada uma das melhores, atualmente
• 2 doses de suco de tomate
• 1 colher de suco de limão
• 2 pitadas de sal
• 2 pitadas de pimenta-do-reino
• 2 pitadas de pimenta caiena
• 3 colheres de molho de Worcestershire
No King Cole bar eles não colocam o talo de salsão para enfeitar a bebida. Ela vem com uma fatia de limão amarelo, ou uma azeitona.

Eu tenho que tomar um pelo menos uma vez por ano do contrário eu fico com a consciência pesada achando que não irei mais para o céu. Dizem que uma noitada num bar fica muito mais divertida quando alguém paga a sua conta e foi exatamente isso que aconteceu comigo e mais três amigos (um deles era um paulista visitando a cidade no final daquele ano). Estávamos os quatro no balcão e o lugar estava lotado, então ficamos dois em pé e dois sentados. Um dos amigos que ocupava um dos tamboretes e é extremamente educado cedeu o seu lugar para uma senhora que chegou de casaco de pele e coberta de jóias, ela era uma árvore de Natal ambulante. Esta senhora era baixinha —a cara da Elizabeth Taylor— e eu acho que meu amigo pensou o mesmo que eu, se ela ficasse em pé ficaria brincando de esconde-esconde por entre as pernas dos executivos de terno. Depois de alguma insistência nossa ela se ajeitou em cima do tamborete e foi logo dizendo ao garçon que era para botar a nossa próxima rodada de drinks na conta dela. E foi uma diversão saber da estória dessa mulher que também morava em cima, no Hotel St Regis. Entre whiskeys e vodkas fomos convidados para futuras festas na casa dela em Palm Beach, Florida, por exemplo. E a conversa rolou solta. No final, quando pedimos a conta descobrimos que ela tinha pago tudo e dado 100 dólares de gorjeta para o garçon. Coisas de Nova York. Este bar foi aberto em 1948. O mural, intitulado Old King Cole, foi encomendado em 1906 pelo Coronel John Jacob Astor, dono do Hotel St Regis, para outro hotel dele na rua 42, o Knickerbocker. Astor contratou o pintor Maxwell Parrish para pintar uma ventosidade anal que pode ser ruidosa ou não e tem um cheiro fétido. Isso mesmo, ele queria que o pintor pintasse um pum! Parrish eventualmente concordou pela enorme quantia de 5 mil dólares. O quadro retrata o rei Cole, um velhote feliz, sentado no trono com dois pagens de cada lado com as mãos no nariz fazendo cara feia, e alguns músicos ao redor. Três painéis de aproximadamente 2.5 de altura por 3 metros de largura compõem o mural. No entanto, o Knickerbocker teve vida curta e o mural pulou de galho em galho por toda a cidade antes de chegar no seu destino final em 1932. No primeiro ano do bar, apenas homens podiam desfrutar do ambiente luxuoso. Finalmente, em 1950, as mulheres se juntaram à folia sob o olhar atento do velho rei. Por décadas, Old King Cole vem deliciando a sua clientela que vai de Salvador Dali ao casal Marilyn Monroe e Joe DiMaggio, passando por Ernest Hemingway, Marlene Dietrich e Babe Paley. John Lennon e Yoko moraram no Hotel St Regis antes de se mudarem para o edifíco Dakota. O bar foi destaque em vários filmes, incluindo “O Diabo Veste Prada”, “Hannah e suas irmãs”, “A Era do Rádio” e “O Clube das Desquitadas”. Este bar tem sido palco de muitos eventos importantes, com destaque para o nascimento da bebida Red Snapper em 1934. (As más línguas dizem que o Red Snapper foi inventado no Harry’s New York Bar em Paris e mais tarde se transformou no Bloody Mary servido pelo Old King Cole bar). Em 2007 gastram 100 mil dólares para trazer de volta o esplendor original à esta incrível obra-prima.

PS: Ah! O bar também serve castanhas de caju do Brasil.

King Cole Bar
2 East 55th Street New York, NY (212) 339-6857
http://kingcolebar.com/
Não entra tênis e shorts após as 17 horas.
Proibido usar chapéus.

 

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