The Hispanic Society of America

May 30, 2014 by


New York, 27 de Novembro – 2013

Nova York é mesmo incrível e assim como em outras grandes cidades você pode rodar o mundo sem sair dela. Tem os chineses na Chinatown, os judeus ortodoxos em Williamsbug/Brooklyn, os gregos em Astoria/Queens, os dominicanos no East Harlem, só para citar alguns. Deve ser por isso que muita gente não sai da cidade, literalmente. Mais especificamente do bairro Manhattan, o coração de Nova York. Manhattan é uma ilha espremida entre dois rios: o Hudson do lado oeste e o East River ao leste. E a ponta de Manhattan, lá embaixo, fica querendo beijar o mar, na foz destes rios. Uma amiga minha que trabalhava comigo nunca saiu da cidade. Nunca atravessou as pontes! Ela disse que não precisa pois Manhattan tem tudo que ela quer.

Pois foi essa sensação que eu tive quando atravessei os portões de entrada da The Hispanic Society of America. Naquele momento eu saí de Manhattan e entrei na Espanha. Este museu é um dos tesouros escondidos da cidade. Fica de fora do radar do turismo e muito pouca gente conhece. Até os novaiorquinos não dão notícia dele, não sei se por preguiça de ir visitá-lo ou por ignorância mesmo. O museu fica lá em cima, no East Harlem, uma área famosa por ser território de imigrantes latinos principalmente os da República Dominicana. Você anda pelas ruas, e, tirando o estilo característico dos prédios de Nova York, o resto é tudo “tí-tiarôns”. Bodegas, lojas, restaurantes. Um “barato” e a comida é ótima! Tem vários tipos de restaurantes de comida latina. Eu moro há muito tempo nos Estados Unidos e quando eu sinto falta da comida brasileira eu não vou a um restaurante brasileiro. Eu vou procuro um restaurante colombiano pois a comida deles é igual à nossa, só que muito, muito melhor!

Um parêntesis: quando você visitar Nova York eu recomendo o “Tierras Colombianas” em Astoria: 3301 Broadway, Queens, NY 11106 • 718-956-3012. Para chegar lá –é pertinho!– saindo de Manhattan tem que pegar o metrô N sentido “uptown”/ indo para o Queens e descer na parada BROADWAY. Subir dois quarteirões na avenida Broadway (que não é a mesma avenida Broadway dos teatros em Manhattan). O restaurante fica à sua esquerda na esquina da rua 33. Eu geralmente peço a “bandeja campesina”, ou seja, o prato caipira que geme sob o peso de sua enorme variedade. O prato é servido com um bife fino, acompanhado de “chicharron”crocante –pronuncia-se “tí-tiarôn”– que é o meu quitute colombiano favorito (um tipo de torresmo/bacon tostado e sem gordura do tamanho de um arco de cabelo de mulher), arroz com feijão, banana doce, abacate, e um ovo frito arematando tudo. Bãumm! … Para sobremesa, caminhe um quarteirão de volta em direção ao metrô e entre no Omonia Café (718) 274-6650 na esquina da rua 32. É um café grego com direito a mesas cheias de senhores de bigode e chapéu, muito sérios, batendo papo o dia inteiro. Este café serve o melhor tiramisu do planeta: são camadas e camadas de massa fininha cobertas com uma lâmina de pó de chocolate amargo que vai fazer você ir ao paraíso três vezes e voltar. Peça para acompanhar um delicioso cappuccino! Quando voltar para Manhattan desça na primeira estação da ilha, a LEXINGTON, e vá queimar as calorias que acabou de ganhar e gastar o dinheiro do seu bolso perambulando pelos andares da loja de departamentos Bloomingdale’s, o melhor lugar da cidade para comprar perfumes.

A Hispanic Society of America foi fundada em 1904 por Archer Milton Huntington (1870-1955) e é um museu e biblioteca de referência para o estudo das artes e culturas da Espanha, Portugal e América Latina. A entrada é gratuita e a instituição é aberta ao público em um prédio do estilo “beaux-arts” no Audubon Terrace (na Rua 155 com Avenida Broadway). O prédio do museu é deslumbrante, os jardins e esculturas, tudo cheirando ao velho mundo Europeu. Mas o que pega as pessoas de surpresa é a coleção de arte que é simplesmente ES-PE-TA-CU-LAR! O museu exibe telas de Diego Velázquez, Francisco de Goya, El Greco, e principalmente os trabalhos do genial Joaquín Sorolla y Bastida. O trabalho de Sorolla por si só é responsável pela perigrinação de aficionados – vem gente do mundo todo para ver seus gigantescos painéis que não viajam para exposições em outros museus. É preciso vir a Nova York para vê-los e eu te digo que vale a passagem do avião e a estadia, claro, pois vindo a Nova York você pode visitar vários países sem sair da cidade, como falei antes. Estes painéis ficam num salão dedicado a eles. Foram reinstalados em 2010. São14 pinturas enormes chamadas “As Visões da Espanha” que Sorolla criou a partir de 1911 até 1919 encomendados por Archie Huntington, o dono do lugar. Estas pinturas magníficas cobrem as paredes do salão (mais ou menos 50 metros quadrados) e retratam cenas de cada uma das províncias da Espanha.

O acervo da Hispanic Society of America é incomparável em seu escopo e qualidade fora da Península Ibérica abordando quase todos os aspectos da cultura da Espanha e também grande parte de Portugal e da América Latina. Com mais de 800 pinturas e 6.000 aquarelas e desenhos a intituição oferece uma pesquisa completa da arte espanhola. A coleção de esculturas (quase 1.000 peças) contém obras que vão do primeiro milênio ao início do século XX. Os exemplares de cerâmica são magníficos e os vitrais, mobiliário, tecidos, e jóias abundam entre os mais de 6.000 objetos na parte de artes decorativas. Mais de 175.000 fotografias de 1850 em diante documentam a Arte, cultura e os costumes da Espanha e América Latina. A coleção de tecidos é uma das melhores no mundo e confirma a riqueza deste tipo de Arte na Península Ibérica desde o domínio árabe até o início do século XX. A biblioteca de livros raros mantém 15.000 volumes impressos antes de 1700 incluindo uma primeira edição de Don Quixote.

The Hispanic Society of America oferece um tour guiado pelos curadores das coleções de arte e do departamento de educação do museu com duração de 45 minutos, todos os sábados, às 14:00 horas.

Mas não fique chateado se você não conhecia esse museu e nem ouviu falar sobre ele. Demorou muito tempo para que eu o visitasse também. Principalmente por ignorância minha e um pouco de preguiça mesmo, ou “falta de tempo”. Muita gente —aquele pessoal que “sabe das coisas”— comentava sobre e eu sempre notava que eles reviravam os olhos com um sorriso no canto da boca: “OH! A Hispanic Society? … mmm … Você nunca foi lá? Mas você tem que ir! Os painéis de Sorolla! … AH!” Portanto, quando uma amiga minha carioca que já rodou o mundo todo várias vezes e conhece Nova York melhor do que eu (na Europa, atualmente, ela vai de marcha à ré porque de frente já ficou sem graça. Cleide, existe algum buraco no Planeta Terra que você ainda não entrou? Duvido!) veio aqui recentemente eu combinei com ela de irmos visitar a Hispanic Society pois ela também adora a obra do Sorolla.

… mas claro! Ela já visitou o museu e casa do Sorolla na Espanha. Só não tomou café com o dito cujo porque ele era muito mais velho do que ela e não estava mais lá.

The Hispanic Society of America
613 West 155th Street (Na avenida Broadway, entre as ruas 155 e 156).
New York, NY 10032 (212) 926-2234
Horário: Terça à Sábado das 10 da manhã às 4:30 da tarde. Domingo das 10 da manhã às 4:00 da tarde. Fecha Segunda Feira e em alguns feriados (confira as datas no website).
Entrada gratuita.
www.hispanicsociety.org

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