Diana Vreeland: O enlace duradouro da moda & Arte.

May 30, 2014 by


 

New York, 13 de Novembro – 2013

Diana Vreeland: “The eye has to travel”
O enlace duradouro da moda & Arte.

Quando o museu Guggenheim abriu “The Art of Motorcycles” em 1999, a exposição foi de um sucesso estrondoso atraindo a maior multidão já vista naquele museu, até àquela data. O Guggenheim foi alvo da crítica que desceu o pau condenando-o de populismo excessivo e compremetido com os interesses financeiros de seus patrocinadores. Logo depois o museu voltou com outro show sobre a moda do costureiro Georgio Armani. E o público adorou! Outros críticos não tão radicais comentaram sobre estes projetos de uma maneira positiva aprovando o intuito experimental e educacional —e até comercial, afinal trazer lucro para os museus é bom!— destas exposições.

Todo mês de maio, o Metropolitan Museum of Art em Nova York organiza seu evento mais importante para captação de fundos, a festa Gala Anual do “The Costume Institute” e a abertura desta exposição coincide com a primavera. Sob a batuta de Anna Wintour (editora-chefe da revista Vogue) o Gala se tornou um dos eventos mais bem sucedidos na cidade e de maior publicidade e arrecadação, trazendo uma lista faiscante de personagens das indústrias de moda, cinema, sociedade, negócios e música. A idéia orginal deste Gala foi da sacerdotisa da sociedade novaiorquina, Eleanor Lambert, mas nos últimos anos Anna está fazendo a festa (a noite de abertura) rivalizar com a festa do Oscar. Estas exposições são organizadas também com material e nas galerias do “The Costume Institute”. Cada ano é escolhido um tema ou um estilista para homenagear. Em 2011, a espetacular exposição “Alexander McQueen: Savage Beauty” trouxe 661,509 visitantes tornando-se a oitava maior bilheteria na estória de expôs do MET, fazendo o museu ficar aberto até meia-noite nos dois últimos dias.

Portanto, o namoro dos museus e da Arte com a moda não é fato recente. “The Costume Institute,” que fica no subsolo do Metropolitan Museum of Art, é uma instituição que abriga uma coleção de mais de 35 mil trajes e acessórios, representando os cinco continentes e sete séculos de moda, trajes regionais e acessórios para homens, mulheres e crianças, a partir do século XV até o presente. Esta instituição de moda começou independentemente em 1937, mas foi na década de 70 que realmente apareceu no “mapa” das artes sob a direção de Diana Vreeland que começou a sua curadoria em 1972 e reinou triunfalmente até o final dos anos 80. Diana organizou uma série de exposições inesquecíveis como o mundo de Balenciaga (1973), designs de Hollywood (1974), a glória do traje russo (1976) e Vanity Fair (1977) definindo o padrão de como uma exposição de moda deveria ser conduzida.

Diana Dalziel nasceu em Paris mas a família dela se mudou para Nova York por causa da Primeira Guerra Mundial. “Eu tenho certeza de que optei por ter nascido em Paris, tenho certeza que escolhi os meus pais. Tenho certeza que eu escolhi ser chamada de Diana. E tenho certeza que eu escolhi ter uma babá chamada Pink (Rosa)”. A família era prominente com parentescos que iam desde George Washington a Pauline de Rothschild. Em Nova York Diana estudou dança com Fokine e apareceu na montangem de Anna Pavlova no Carnegie Hall. Mais tarde ela casou com Thomas Reed Vreeland, um banqueiro, com quem teve dois filhos: Tim (Thomas Reed Vreeland, Jr.) nascido em 1925, que se tornou um arquiteto e também professor de arquitetura na UCLA e Frecky (Frederick Dalziel Vreeland) nascido em 1927 (mais tarde embaixador dos EUA para o Marrocos). “Foi amor à primeira vista. Reed fez-me sentir bonita”. A família mudou-se para Londres onde Diana começou a trabalhar com moda e lingerie e teve clientes como Wallis Simpson (a duquesa de Windsor) e Mona Williams. Viajava sempre para Paris comprando roupas na loja da Channel que era sua amiga. Em 1935, Reed foi transferido para Nova York onde ficaram definitivamente até o final de suas vidas.

A carreira de Diana em revistas de moda começou como colunista da Harper’s Bazaar. A editora da revista, Carmel Snow, ficou impressionada com o seu jeito de vestir e estilo e convidou Diana para trabalhar para ela. Foi Diana quem descobriu a atriz Lauren Bacall contratando-a como modelo. Na revista ela tinha a acessoria de fotógrafos e artistas como Louise Dahl-Wolfe, Richard Avedon, Nancy White, David Bailey and Alexey Brodovitch. Em 1955, a família mudou para um apartamento novo decorado exclusivamente com a cor vermelha. Diana chamou o decorador Billy Baldwin e disse: “Eu quero que este lugar pareça um jardim, mas um jardim no inferno”. Nas suas festas se encontrava o “tout le monde” internacional. Em 1957 a Paramount lançou o filme “Funny Face” com o personagem Maggie Prescott inspirado em Diana.

Em 1960, Kennedy se tornou presidente e a primeira-dama Jacqueline Kennedy chamou Diana Vreeland para ser sua conselheira de estilo. Vreeland ajudou Jackie ao longo da campanha e chamou o estilista Oleg Cassini que se tornou o costureiro da primeira-dama. “Eu me lembro de Jackie Kennedy logo depois que ela se mudou para a Casa Branca … O lugar não era mais como um country club, se é que você me entende … Básico”. Diana deu conselhos à Jackie sobre o que usar durante a administração do marido e dicas sobre o que vestir no dia da inauguração, em 1961.


Em 1962, ela se tornou a editora-chefe da revista Vogue, onde trabalhou até 1971. Diana adorava os anos sessenta porque ela sabia que era um momento único na história. Naquela época ela descobriu Edie Sedgwick, garota linda socialite que se transformou na musa do artista Andy Warhol. Se a moda é o que é hoje a culpa é de Diana Vreeland. Ela descobriu Twiggy, Veruschka, Marisa Berenson, Angelica Huston, Ali MacGraw, entre outras. Na revista Vogue ela mudou o visual da revista, que mostrava manequins/modelos estáticas mostrando a roupa como se estivessem na vitrine de uma loja. Com Diana um mundo de criatividade e sonhos se descortinou. Nos seus memorandos sobre questões de estilo ou na criação de um editorial novo —ela mencionava uma lista de animais ameaçados de extinção; a cor cinza; Perucas de Kabuki— havia editores, modelos e fotógrafos pulando de fininho para desenvolver as idéias, não importando o quanto difícil fossem … “Eu queria beber na fonte de tudo, as miniaturas persas, as fotografias de todos os fotógrafos de quem admirava, os chifres de rapés escoceses”. Ela pedia para as equipes irem para a rua e outras locações ou criava um ambiente de fantasia onde contava uma estória inspirada nos livros que leu, nas coisas que viu, nos filmes de Hollywood. “O que essas revistas trouxeram foi um ponto de vista. A maioria das pessoas não têm um ponto de vista; é preciso que você os apresente à elas — e mais, elas esperam isso de você”. Mas isso tudo custava uma fortuna e custou sua carreira na revista: foi despedida no início dos anos 70. E, com a ajuda de Jackie O., com 69 anos de idade, ela entrou para a curadoria do “The Costume Institute” do Metropolitan Museum of Art. Naquela época Diana caiu na vida noturna da cidade frequentando o Studio 54 com os amigos Warhol, Halson, Liza Minelli, Cher, e Jack Nicholson, por quem era “caída”. Em 1984, ela escreveu sua autobiografia, “D.V.” Quando adoeceu, amigos próximos como Oscar de la Renta, André Leon Talley e Jacqueline Onassis iam ler para ela. Diana Vreeland morreu em 1984, em Manhattan, praticamente cega. Ela disse que ficou cega por ter visto tanta beleza durante a sua vida: “fritou meus olhos!” … Estas foram suas últimas palavras: “Não páre a música ou eu conto para o meu pai!”. No apartamento, nas anotações das enfermeiras, a última entrada lia: a senhora Onassis ligou. Amigos e colegas se reuníram no MET para um memorial. Incluídas no programa do cerimonial estavam as músicas de Mick Jagger “You Can’t Always Get What You Want”, Josephine Baker cantando “J’ai Deux Amours”, e Maria Callas cantando uma ária da Tosca.

Quando eu me mudei para New York City, eu assistí a uma peça de teatro na Broadway “Full Gallop” onde a atriz Mary Louise Wilson interperetava a carismática Diana Vreeland. Sua vida foi documentada no filme “Diana Vreeland: The Eye Has to Travel” (2012). Um livro sobre ela está sendo publicado, no momento: “Diana Vreeland – Empress of Fashion”.

Frases:
• “Você tem que ter estilo. Ajuda você descer escadas. Ajuda sair da cama. É um modo de vida. Sem ele, você não é ninguém. E eu não estou falando sobre roupas”.
•”E, claro, uma pessoa já nasce com bom gosto. É muito difícil de adquirir. Você pode adquirir a pátina do bom gosto”.
• “Mas um pouco mau gosto é como uma pitada de páprica. Todos nós precisamos de um pouco de mau gosto — é saudável, é salutar, é físico. Eu acho que precisamos usar um pouco mais de mal gosto. Gosto nenhum é o que eu sou contra”.
• “Chanel era uma camponesa — e um gênio. Camponeses e gênios são as únicas pessoas que contam e ela era ambos”.
• “A revista Vogue sempre apoiou a vida das pessoas. Quer dizer, um vestido novo não vai te levar à lugar nenhum; o que importa de verdade é a vida que você vive usando aquele vestido, o tipo de vida que você tinha vivido antes, e o que vai fazer usando aquele vestido mais tarde”.
• “A única e verdadeira elegância está na mente; se você tem isso, o resto sai dalí”.
• “Existe apenas uma vida muito boa e que é a vida que você sabe que você quer e você a constrói sozinho”.

Aqui estão uns links, com imagens de Diana Vreeland, uma das mulheres mais influentes do século XX, um ícone duradouro cuja influência mudou a cara da moda, beleza, Arte, editorial e cultura para sempre. Um personagem que só poderia ter saído da cena de Arte de Nova York.


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