Aquarelas de Mary Whyte: Preservando heróis desconhecidos

May 30, 2014 by


New York, 21 de Novembro – 2013

“Apesar de eu pintar durante quase toda a minha vida eu ainda me considero uma aprendiz. Eu passei a minha junventude pintando uma variedade de gêneros diferentes: paisagens, nus, flores, natureza morta, encomendas de retratos e ilustrações para livros infantis. Eu ficava feliz só por estar pintando e grata que meu trabalho ajudava a pagar as contas. Enquanto minhas primeiras aquarelas e óleos não foram magistrais, as horas passadas segurando um pincel me ajudaram a desenvolver minhas habilidades técnicas, assim como treinar meus olhos para composição. Eventualmente, minhas pinturas acabaram parecendo menos com o trabalho dos outros e mais como o meu.

Eu sempre acreditei que nós, artistas, não escolhemos a nossa vocação. O dom da Arte é algo que não posso explicar mais do que eu posso explicar como vim parar na Carolina do Sul pintando um grupo de mulheres americanas, ou como fui parar ao longo do Moon River na Georgia pintando um cara que pega carangueijos, ou em Scottsdale, Arizona, esboçando um tatuador. A Arte nos escolhe. Cada imagem que resulta do nosso trabalho –se ele é feito com seriedade e compaixão– é um retrato coletivo de todos nós”.

Mary Whyte, uma das maiores aquarelistas da atualidade, é professora e autora de livros (como “Down, Bohicket Road: O Diário de Uma Artista”) e suas pinturas figurativas ganharam reconhecimento nos Estados Unidos e internacionalmente. Ela nasceu no interior dos EUA e depois mudou para a região da Filadélfia, onde tinha uma galeria com seu marido, que fazia molduras. Mais tarde, foi parar em John’s Island, uma ilha na Carolina do Sul, no subúrbio da cidade de Charleston. Mary, que veio de uma família conservadora, acabou conhecendo uma comunidade de negras que morava na ilha também, as Gullahs, que são descendentes de escravos africanos. A palavra “Gullah” é uma expressão fonética e pode ter uma conotação depreciativa dependendo do uso. Foi originalmente usada para designar a língua falada pelo povo Gullah. Mary passou a frequentar a igreja e centro comunitário onde estas mulheres se encontravam nas quartas feiras, e consequentemente começou a pintar imagens delas. “Elas me chamavam ‘nossa irmã branca’ ”.

Outro trabalho magnífico que Mary desenvolveu foi retratando pessoas que trabalham em empregos que estão desaparecendo, como o cara que muda os letreiros de um cinema ‘drive-in’, um engraxate de sapatos, o cara que pesca carangueijos que estão ameaçados de extinção numa área no golfo do México. Ela pinta geralmente ao ar livre e em um atelier onde mora mas quando está envolvida nestes grandes projetos, pintando uma série de aquarelas, ela viaja para uma casa que ela aluga e vive lá por uns tempos, sozinha, trabalhando o dia todo.

Eu conhecí Mary frequentando conferências de Arte em vários lugares nos Estados Unidos. Eu fiquei completamente extasiado quando a ví pintando pela primeira vez, no palco, numa demonstração durante a conferência da Portrait Society of America em Washington, D.C. Fui falar com ela depois e virei fã! Eu costumo dizer que ela é a Meryl Streep do mundo da arte. Ela costuma dar aulas (workshop) nos Estados Unidos e pelo mundo afora como na Europa e na China, de onde ela acabou de chegar depois de ter passado duas semanas lá. No mês de abril, eu encontrei com Mary em Atlanta e na ocasião perguntei o que eu tinha que fazer para poder entrar num de seus workshops de pintura (eu comprei o cavalete de metal que ela bolou, os pincéis que ela pediu a um fabricante para desenvolver, a palheta de plástico que ela usa, e as tintas também> http://mgraham.com/) e ela me disse que era para eu ligar para tal número, desse modo eu ficaria sabendo das notícias em primeira mão. E ela me disse que estaria lecionando no verão (julho) de 2014 em Cape Cod. Pois bem cheguei em casa e liguei imediatamente. Me orientaram a ligar para a escola em Cape Cod. Uma voz do outro lado do telefone me disse: “O workshop da Mary Whyte no ano que vem? Ih, meu bem, já está lotado/esgotado! Vou botar seu nome na lista de espera … e, esteja pronto para pagar adiantado se eu te ligar, OK?”

No momento, o museu The Butler Institute of American Art, em Youngstown, Ohio, está mostrando (até dia 24 de novembro de 2014) vinte trabalhos dela, exposição que é acompanhada por um livo recém lançado pela artista “Mais do que uma semelhança: A duradoura arte de Mary Whyte”, escrito pela historiadora de arte Martha R. Severens. O livro de capa dura tem 368 páginas que inclui 200 ilustrações a cores.

Na quinta feira passada, estive com ela na abertura de sua exposição no The National Arts Club em Nova York onde ela lançou seu livro mais recente: “More than a likeness”. A expô fica em cartaz até no dia 25 de novembro. Os retratos que ela pinta estão incluídos em várias coleções particulares e de empresas, e também em coleções de museus e universadades. Seu perfil já saiu em inúmeras publicações de Arte. Seu trabalho pode ser encontrado na arte Galeria de Arte Coleman em Charleston, na Carolina do Sul, que é o mesmo endereço do atelier do seu marido, Coleman Smith, que faz um trabalho à mão maravilhoso.

Assista aqui a um video que saiu sobre ela no programa “60 minutos” da CBS (o Fantástico/Globo Reporter da TV americana)

Se você está no Facebook, assista a esse vídeo:
https://www.facebook.com/video/video.php?v=131384613682699

Para mais informações e para ver o trabalho de Mary Whyte, clique no link:
http://marywhyte.com/

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