MoMA • A sustentável leveza da arquitetura

May 30, 2014 by


New York, 14 de janeiro – 2014

Divido com vocês uma carta que escreví para uma grande amiga minha no Brasil há um tempo atrás.

“Nova York, 25 de novembro de 2004

Angela, o Museu de Arte Moderna de Nova York reabriu! Está um escândalo!
É uma das melhores coisas que aconteceu na cidade nos últimos tempos! É o resultado da mistura de talento, criatividade, bom gosto e dinheiro. O arquiteto (japonês, claro!) Yoshio Tanigushi disse: “If you raise a lot of money, I will give you great, great architecture. But if you raise really a lot of money I will make the architecture disappear”. “Se você conseguir muito dinheiro, eu farei grande arquitetura. Mas se você realmente levantar um monte de dinheiro eu farei a arquitetura desaparecer”.

O resultado é tão minimalista que ficou barroco! Black & White. As paredes e muros são lâminas pretas e brancas, levíssimas. O espaço aumentou pois o japonês fez milagre. Tanigushi usou aquele vidro translúcido que está na moda aqui. Frank Ghery usou o meio-esverdeado nas três torres residenciais do West Village onde os artistas -Nicole Kidman, Hugh Jackman- e outros famosos -Calvin Klein- moram. Frank Gehry também usou este efeito leve do vidro translúcido em outro edifíco em Manhattan, no IAC/InterActiveCorp que é a sede da companhia do poderoso chefão Barry Diller. O prédio parece um bolo de aniversário coberto de suspiro branco derretendo sob um calor de Brasil. Fica nas margens do rio Hudson, no bairro Chelsea, e se você estiver passeando pela High-Line ao pôr-do-sol você verá um dos efeitos mais lindos de ilusão de ótica quando as cores quentes da tarde se misturam com as cores frias do prédio. Um show! Os designers da nova loja da Louis Vuitton na rua 57 com a Quinta Avenida revestiram os oito andares do prédio onde era a loja da Warner Bros. com este vidro branco e o resultado é igual ao do MoMA: tão leve que se você olhar demorado, quebra.

As paredes das galerias internas do museu flutuam pairando um centímetro acima do chão … tudo é branco e tudo flui. A arte nunca pareceu tão bonita pois o espaço não briga, não interfere, é sereno, e só sustenta. Este mesmo espaço que os curadores e diretores usaram para contar a história da arte moderna de uma maneira diferente, e, com certeza, controvertida. Já a mudaram de saída: a tela de Cézanne “The Bather” que abria a coleção antigamente dá lugar a outra: “Against the Enamel of a Background Rhythmic with Beats and Angles, Tones and Colors, Portrait of M Felix Feneon in 1890” de Paul Signac. Eles acharam que seria uma bela homenagem e fariam justiça colocando o retrato do marchand Felix Feneon abrindo a exposição.

Abre a cortina. Para polêmica.

As galerias foram projetadas de tal forma que permite a história ser contada “para frente e para os lados”. Você anda em qualquer direção e compara melhor as pinturas. O museu tem agora duas entradas, a antiga pela rua 53, e outra pela rua 54 que tem o visual que eu acho mais bonito. O prédio também ganha um instituto de pesquisa e educação, espaços maiores para ilustrações, fotografias, etc. Aumentaram os espaços dos auditórios, oficinas de formação de professores, da biblioteca e dos arquivos. E vai abrir um restaurante bacana, o “The Modern”, com menu inspirado pela Bauhaus. (!?)

Como nada é perfeito nesta vida, para mim, o novo MoMA só tem um pecado. Nos velhos tempos antes da reforma as pinturas “Water Lilies” de Monet ficavam expostas numa sala exclusiva, só delas, longe da bagunça e do barulho da Arte moderna das outras salas. Era uma “capelinha” onde eu gostava de ir para meditar e até rezar e eu me sentia tão bem lá dentro, especialmente nos raros momentos em que coincidia de não ter mais ninguém naquele espaço, só eu e as telas de Monet. Serenas. Quietas. A paz … A beleza. O isolamento enfatizava a qualidade meditativa, imersiva destas obras, que são realmente um mundo em si mesmas.

Hoje, elas estão por alí. Vocês vão vê-las com certeza. Meditar? Não sei … Para isto você vai ter que comprar uma passagem para Paris e ir para o Musée de l’Orangerie no Jardin Tuileries ver Les Nymphéas.

Como alguém disse: “o passado é lembrado através das igrejas e templos, o nosso presente vai ser lembrado através desses novos templos, os museus de arte”.

Au revoir mon ami,
Louie Vilelá.”

MoMA | The Museum of Modern Art
11 W 53rd St, New York, NY 10019 (212) 708-9400
www.moma.org/‎

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