A volta das academias de Arte

May 30, 2014 by


New York, 01 de janeiro – 2014

Na última vez que visitei a Pinacoteca do Estado de São Paulo eu ví uma exposição maravilhosa chamada “O nu além das Academias”. A curadora daquela exposição, Ana Paula Nascimento, escreveu: “No ensino acadêmico, o corpo humano pode ser visto como o cento simbólico e iconográfico, talvez o tema central da arte de cunho figurativo. O conhecimento do corpo e sua exata representação foram, ao menos desde o Renascimento, considerados aspectos primordiais na formação de qualquer artista, apreendidos principalmente a partir das aulas de modelo-vivo. Apenas depois de dominar completamente a representação do corpo o artista estaria apto a conceber obras de todos so gêneros, desde a pintura de história, de mitologia e religiosa, passando pelo retrato, as cenas de gênero, as paisagens e, por fim, as naturezas-mortas. Assim, grosso modo, em todas as épocas, o corpo tem sido tema da Arte.”

Com o Renascimento, o impacto da nova forma democrática de pensar do Iluminismo em conjunto com uma formação clássica incomparável acionaram o maior período de criatividade que as belas artes já tinha visto. Mais tarde os impressionistas pariram a chamada arte moderna que se expandiu para tudo o que é chamado de Arte hoje em dia. Desde então muitos acreditavam que a pintura realista foi substituída pela fotografia. De uma certa maneira, foi mesmo, na área de propaganda e marketing. Depois disseram que a própria ARTE havia morrido. A arte tornou-se “arte sobre a arte” e não arte sobre a vida. Atualmente existe uma marginalização da arte realista, portanto, da pintura acadêmica pelo estabelecimento o que me faz acreditar que a arte realista hoje em dia é a arte de vanguarda, quer dizer, o círculo da evolução da arte como a gente a conhecia se fechou e o processo está começando de novo. Há muitos anos atrás, ao mesmo tempo em que a arte moderna quebrava as convenções da arte acadêmica, considerada arcaica, uma turma de pintores continuava a fazer seu trabalho realista. Muitos destes pintores eram influenciados por artistas americanos mais velhos como Thomas Eakins, Mary Cassatt, John Singer Sargent, James McNeill Whistler, Winslow Homer, Childe Hassam, J. Alden Weir, e William Merritt Chase. No entanto, eles estavam interessados na criação de obras novas e mais urbanas que refletia a vida da cidade e uma população que era mais urbana do que rural na América do novo século. A intenção destes novos artistas era mostrar a verdadeira realidade do início do século XX, o que você pode notar nas pinturas de George Bellows, Robert Henri, Everett Shinn, George Benjamin Luks, William Glackens, John Sloan, Ernest Lawson, Maurice Prendergast, Arthur B. Davies, e Edward Hopper.

Hoje existe uma revolução artística —um novo Renascimento— que ainda está à margem do mercado. Há uma procura pelo ensino de arte clássica nos moldes dos ateliers franceses do final do século XIX, com ênfase em desenho tradicional com modelo-vivo, pintura e escultura. O processo de aprendizado começa com os estudantes desenhando e passando à pintura na medida em que sua habilidade progride. Eu conheço artistas que me dizem que estudar nos anos 50 e 60 era muito frustrante. Dos anos 50 até recentemente, se alguém se matriculasse numa escola de arte o que esta pessoa iria aprender? O estudo de arte figurativa com modelo-vivo foi quase abolido das escolas. Felizmente esta não é a mentalidade da nova geração. Isto está acontecendo nos Estados Unidos e no mundo todo. Academias e ateliers de arte estão “pipocando” por toda a América e na Europa também, inclusive no Brasil.

Antes dessa “nova onda” era difícil encontrar escolas de arte de ensino acadêmico do tipo da The Art Student League, em Manhattan. Fundada em 1875 por artistas e para artistas, esta escola tem sido fundamental na continuação e tradição do ensino das Belas-Artes. Hoje, mais de 2.500 alunos de todas as idades, origens e níveis, estudam na ASL.
http://www.theartstudentsleague.org/
Em Nova York, como exemplos destes novos estabelecimentos além da ASL, eu sito principalmente:
• Water Street Atelier, mais tarde chamado Grand Central Academy, em Nova York. Fundado por Jacob Collins.
http://www.grandcentralacademy.org/
• New York Academy of Art
http://www.nyaa.edu/nyaa/index.html
Perto de Nova York:
• Studio Incamminati na Filadélfia.
Fundado em 2002 pelo artista Nelson Shanks.
http://www.studioincamminati.org/
• Ani Art Academy Waichulis and Ani Art Academies International
http://aniwaichulis.com/
• Workshops com Daniel Greene
http://www.danielgreeneartist.com/workshops.htm

Existem grupos de pintores também como os The Putney Painters influenciados pelo artista Richard Schmid
http://www.villageartsofputney.com/The_Putney_Painters.html;
e pintores como David Leffel e Burt Silverman que desenvolvem um trabalho magnífico de pintura realista e influenciam a nova geração. Da turma mais nova eu cito os pintores Jeremy Lipking, Daniel James Keys, Daniel Sprick, Scott Burdick, David Kassan, só para mencionar alguns deles. São muitos.

E só para ilustrar o que que está acontecendo no mundo e para reforçar que este movimento é definitivo, o estilista americano Ralph Lauren anunciou planos recentemente para restaurar a famosa L’École Nationale Supérieure des Beaux-Arts em Paris (onde tudo começou). A escola passará por uma renovação de dois anos, estima-se que serão gastos mais de 30 milhões de dólares. Especificamente, a Ralph Lauren Corporation se comprometeu a restaurar o Amphithéâtre histórico no coração da Academia que tem 365 anos. O teatro novo vai ser equipado com assentos de estádio e a mais recente tecnologia audiovisual. O site da escola também verá uma reformulação profunda, com acesso mais abrangente on-line aos arquivos de pintura e estatuária. A Academia, por séculos, desempenhou um papel fundamental na educação de artistas dos mais importantes — incluindo, mais recentemente, dos estilistas Hubert de Givenchy e Valentino. Fundada por Louis XIV, a escola foi originalmente alojada dentro do Musée du Louvre, mas agora está situada no coração de Saint-Germain-des-Prés.
http://www.beauxartsparis.com/l-ecole

Eu nunca me esquecí da primeira aula de modelo-vivo no Parque Lage, Rio de Janeiro. Era realmente algo novo para mim ver aquele corpo sobre uma plataforma parecendo uma estátua viva. Mais tarde quando fui estudar no Pratt Institute em Nova York a primeira aula que eu tive foi também de modelo-vivo. O tema da aula era trabalhar com massas, como aprender a ver, resolver e transpor para a tela ou papel as grandes massas do corpo humano. A professora Meri Bourgard trouxe para a sala de aula uma modelo chamada Viva, uma mulher IMENSA (Wilza Carla perdia!) Eu estava procurando um bom ângulo para poder começar e fui lá atrás da sala onde meu amigo Joe estava com uma cara de interrogação olhando para o traseiro da modelo e eu disse: “Joe, vamos lá para o outro lado. A moça tem um rosto bonito”. E ele: “Não Luiz, tem muita coisa acontecendo daquele ângulo!” Depois Viva me disse que o retrato que fiz a mostrava digna, parecendo com sua mãe.

Feliz 2014 para todos vocês, leitores! Está sendo um prazer e alegria dividir informações sobre Arte aqui no BLOG! Cheers!

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